Por que sociedades quebram por conflito e não por falta de lucro: o que organizar antes da crise
SOCIETÁRIO
Gabriela Figueiredo
1/14/20262 min read
Quando falamos sobre a construção de uma empresa, um dos principais momentos é a união de interesses para que um CNPJ seja oficializado e o negócio comece a rodar.
Geralmente, por urgência e orientação um tanto simplória do contador, adota-se um contrato social padrão que, na maioria das vezes, não reflete a realidade da empresa, seus objetivos futuros nem as limitações à atuação de cada sócio.
Eu sei: suas preocupações vão muito além do desenvolvimento de um contrato social. Você precisa de lucro imediato, precisa que a empresa cresça, e que isso aconteça no menor tempo possível.
O ponto principal, no entanto, reside em uma máxima da vida e dos negócios: crescer em um ambiente sem estrutura não garante que o lucro obtido rapidamente seja capaz de impedir o encerramento da empresa.
Como por aqui gostamos de dados, é essencial lembrar que, segundo o IBGE, cerca de seis em cada dez empresas que nascem no Brasil não conseguem sobreviver após cinco anos.
O que quero destacar é o seguinte: sua preocupação mais imediata é o lucro, mas, como exploramos brevemente no início deste artigo, crescer sem bons pilares é prever o falecimento empresarial.
Superado esse primeiro ponto irrefutável sobre a importância de crescer com bons fundamentos, quero agora indicar maneiras práticas de tornar sua sociedade mais saudável a longo prazo.
O primeiro ponto é lembrar que vocês estão lidando com dinheiro. Parece óbvio, mas é fundamental que, mesmo tratando de um tema tão comum ao ser humano, não deixemos de lado a definição de critérios para o gerenciamento financeiro da sociedade.
Não basta ter confiança mútua entre os sócios: você precisa do básico bem feito. E como fazer isso? Sabe aquele contrato social feito apenas para ser aprovado na junta comercial? Ele precisa de uma revisão profunda, especialmente para prever alguns temas fundamentais: quem será o administrador da empresa? Como vocês lidarão com a entrada de novos sócios? Como os conflitos serão resolvidos?
O segundo ponto é desenvolver, para acompanhar o contrato social, um acordo de sócios. Sim, este documento será fundamental para estabelecer a cultura da empresa, os objetivos futuros e a forma como cada sócio trabalhará.
Esses dois documentos farão com que sua sociedade fique consideravelmente menos exposta a litígios judiciais. E não só isso: farão com que você e seus sócios mantenham o relacionamento focado no que mais importa - fazer a empresa crescer sobre bons pilares.
Se você já tem sócios e sente insegurança sobre regras de decisão, um diagnóstico jurídico inicial pode mapear riscos e prioridades de ajuste.


