two people shaking hands over a piece of paper

Como resolver briga entre sócios em empresas pequenas?

reduzir conflitos societários e evitar disputas no Judiciário

SOCIETÁRIO

Gabriela Figueiredo

1/9/20263 min read

man in black formal suit jacket and pants carrying black bag while walking on pedestrian lane during daytime
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Conflitos entre sócios raramente começam de forma explícita. Majoritariamente, eles surgem quando a empresa cresce, o dinheiro entra em cena e ninguém combinou, lá no início, como as decisões seriam tomadas.

O problema não é a divergência em si. Discordar faz parte de qualquer sociedade. O risco aparece quando não existem regras mínimas para lidar com essas discordâncias. Nesse cenário, o conflito deixa de ser interno e acaba, muitas vezes, no Judiciário.

A seguir, estão cinco práticas que ajudam a reduzir esse risco e a organizar a relação societária de forma mais madura.

Confiança não substitui regras

Grande parte das sociedades nasce baseada em confiança, boa relação e expectativa de crescimento. Isso é natural e, até certo ponto, saudável. O problema surge quando essa confiança é tratada como substituta de regras.

Confiança sem regra não elimina conflito. Ela apenas adia. Quando o negócio cresce e as decisões passam a envolver dinheiro, poder e responsabilidade, aquilo que antes era resolvido na conversa começa a gerar atrito. Regras não são sinal de desconfiança. São sinal de maturidade empresarial.

Definir quem decide evita disputas pessoais

Muitos conflitos societários têm a mesma origem: ninguém sabe, com clareza, quem decide o quê. Quando todo sócio acredita ter poder de veto ou palavra final, decisões simples viram disputas pessoais.

Definir autoridade não significa centralizar tudo em uma pessoa. Significa organizar o processo decisório. Saber quais decisões são individuais, quais exigem consenso e quais podem ser delegadas evita desgaste e acelera o crescimento da empresa.

Limitar poderes protege a empresa e a relação

A ausência de regras sobre administração abre espaço para decisões unilaterais, excessos e ressentimento. Por outro lado, o controle excessivo paralisa a operação e gera frustração.

O equilíbrio está em limitar poderes objetivamente. Isso protege a empresa de decisões impulsivas e, ao mesmo tempo, preserva a relação entre os sócios. Limitar poderes não é desconfiar de quem administra. É reduzir risco.

Regras claras sobre dinheiro evitam rupturas

Discussões societárias raramente são apenas sobre números. Sem critérios claros para distribuição de lucros, retiradas e divisão de prejuízos, o debate deixa de ser técnico e passa a ser emocional.

Quando isso acontece, surgem julgamentos de esforço, merecimento e lealdade. Regras financeiras claras reduzem ruído, alinham expectativas e evitam que o dinheiro se torne o principal fator de desgaste da sociedade.

Combinar a saída antes de pensar na entrada

Nem todo sócio permanece para sempre na empresa, e isso não precisa ser um problema. O problema começa quando não existem regras para saída, avaliação da participação e forma de pagamento.

A ausência dessas combinações costuma transformar divergências naturais em conflitos longos e desgastantes. Definir essas regras no início evita decisões improvisadas justamente no momento em que a empresa está mais vulnerável.

Conflito não é exceção. Improviso é o risco

Essas práticas não eliminam conflitos societários (aliás, a segurança de um bom contrato é avaliada também quando o judiciário passa a julgá-la).

O ponto fundamental para reduzir a exposição da sua empresa a conflitos societários é compreender que empreender não é uma aventura baseada apenas em confiança e acordos verbais.

É essencial entender profundamente que cada negócio desenvolvido precisa ter maturidade suficiente para tratar de temas importantes, mesmo quando desconfortáveis.

Quando uma sociedade depende apenas de boa vontade, o problema não está no futuro. Ele já existe. Organizar regras não é criar conflito. É evitar que ele destrua o negócio.